contato@comunicaceduc.com.br | (19) 98178-1924
A formação da nossa Língua Portuguesa

Caros alunos e leitores.

Farei uma pequena prosa sobre a origem de nossa maravilhosa e intricada língua. Mais do que qualquer outra coisa, venho aqui com a humilde intenção de aproximar você da essência e da grandiosidade do nosso idioma.

Esta língua românica formou-se pela particularização que o latim (vulgar) sofreu na Península Ibérica durante o processo de convivência entre povos e línguas, onde o latim entra em contato com línguas já ali existentes, a partir da chegada dos romanos.

Com a criação do Reino de Portugal, em 1139, e a expansão como parte da reconquista, deu-se a difusão da língua pelas terras conquistadas. Entre estas terras está nosso querido Brasil... não podemos deixar de citar a grandeza da África e uma grande parcela de seu povo que também fala esta língua: Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe, além da Guiné Equatorial (que adotou o idioma recentemente). E necessário salientar que mesmo o latim já transformado ainda estabeleceu relações com a língua germânica e com a língua árabe.

Brasil e Portugal são os dois únicos países cuja língua primária é o português. Existem aproximadamente 260 milhões de pessoas no mundo que falam português, sendo a 5ª língua mais falada no mundo. Curiosamente, o Brasil responde por cerca de 80% desse total.

Com o início permanente da colonização portuguesa em 1532, a Língua Portuguesa começa a ser conduzida para o Brasil. Aqui ela entra em relação, num novo espaço-tempo, com povos que aqui viviam e falavam outras línguas, ou seja, as línguas indígenas, e acaba por tornar-se, nessa nova geografia, a língua oficial e nacional do Brasil.

O primeiro momento começa com o início da colonização e vai até a saída dos holandeses do Brasil, em 1654. Nesse período o português convive, no território que é hoje o Brasil, com as línguas indígenas, com as línguas gerais e com o holandês, esta última a língua de um país europeu e também colonizador. As línguas gerais eram línguas tupi, faladas pela maioria da população. Eram as línguas do contato entre índios de diferentes tribos, entre índios, portugueses e seus descendentes, assim como entre portugueses e seus descendentes. A língua geral era assim uma língua franca. O português, como língua oficial do Estado português, era a língua empregada em documentos oficiais e praticada por aqueles que estavam ligados à administração da colônia.

O segundo período começa com a saída dos holandeses do Brasil e vai até a chegada da família real portuguesa no Rio de Janeiro, em 1808. A saída dos holandeses muda o quadro de relações entre línguas no Brasil na medida em que o português não tem mais a concorrência de uma outra língua de Estado (o holandês). A relação passa a ser, fundamentalmente, entre o português, as línguas indígenas, especialmente as línguas gerais, e as línguas africanas dos escravos. Esse período caracteriza-se por ser aquele em que Portugal, dando andamento mais específico ao processo de colonização, toma também medidas diretas e indiretas que levam ao declínio das línguas gerais. A população do Brasil, que era predominantemente de índios, passa a receber um número crescente de portugueses, assim como de negros que vinham para o Brasil como escravos. Para se ter uma ideia, no século XVI foram trazidos para o Brasil 100 mil negros. Este número salta para 600 mil no século XVII e 1,3 milhão no século XVIII. O espaço de línguas do Brasil passa a incluir também a relação das línguas africanas dos escravos e o português. Com o maior número de portugueses cresce também o número de falantes específicos do idioma. E isto tem uma outra característica: os portugueses que migram para o Brasil não vêm da mesma região de Portugal. Desse modo, passam a conviver no Brasil, num mesmo espaço e tempo, divisões do português que, em Portugal, conviviam como dialetos de regiões diferentes.

O terceiro momento do português no Brasil começa com a vinda da família real em 1808, como consequência da guerra com a França, e termina com a independência. Poderíamos utilizar, como data final desse período, 1826, pois é nesse ano que se formula a questão da língua nacional do Brasil no parlamento brasileiro.

Com este pequeno relato espero ter deixado para vocês uma pitada de sabor da nossa língua, e que com isso vocês também se deliciem e busquem sempre conhecer mais a nossa História e nosso costumes.

Referências Bibliográficas:

“A importância da língua portuguesa: uma discussão pertinente”, em https://www.labeurb.unicamp.br/elb/portugues/historia_portugues_brasil.html

Sobre o autor

Prof. Ricardo Lopes

Ricardo Lopes é Professor de Letras - Língua Portuguesa, administrador de restaurante, cozinheiro profissional e escritor nas horas vagas, com um romance publicado e outro em elaboração. Casado e pai de duas filhas, é um dos idealizadores do CEDUC, que tem como objetivo ajudar pessoas a encontrarem seu lugar no mercado de trabalho e as empresas a especializarem ainda mais seus colaboradores.

Newsletter

Cadastre-se para receber uma mensagem sempre que novos conteúdos forem publicados